A aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade (Enem PPL) alcançou um marco inédito no Acre em 2025. Realizadas nesta terça-feira (16) e quarta-feira (17), as provas atendem mais de 800 custodiados em unidades prisionais do estado, em uma ação coordenada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em parceria com o governo acreano.

Foto: Zayra Amorim/Iapen
O número de inscritos teve um salto expressivo em comparação ao ano anterior. Ao todo, 833 detentos participam desta edição, o que representa um aumento de quase 70% em relação a 2024, quando foram registradas 491 inscrições. O crescimento reflete o fortalecimento das políticas educacionais voltadas ao sistema prisional, com foco na inclusão e na ressocialização.
De acordo com a chefe da Divisão de Educação Prisional, Margarete Frota, a ampliação do público atendido está diretamente ligada a mudanças recentes na legislação educacional. “Foram inscritos também presos que têm ensino médio incompleto ou fundamental completo. Para eles a importância disso é tanto o acesso ao nível superior quanto a conclusão do ensino médio. Alguns estão fazendo para tentar vaga de nível superior e outros é para a conclusão do ensino médio”, explica.
O Enem PPL é aplicado anualmente em estabelecimentos prisionais e unidades socioeducativas em todo o país, mantendo o mesmo grau de exigência do exame regular. A principal diferença está no local de realização, adaptado ao ambiente carcerário, garantindo segurança e igualdade de condições aos participantes.
A correção das provas segue os critérios estabelecidos pelo Ministério da Educação (MEC), o que possibilita aos participantes concorrerem a vagas no ensino superior por meio de programas federais como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). A iniciativa reforça a educação como instrumento central no processo de reintegração social.