ECONOMIA

Acre reduz número de inadimplentes em junho e contraria avanço das dívidas registrado no Brasil

Levantamento da Serasa aponta queda de 0,89% no estado, enquanto país soma 83,7 milhões de consumidores com restrições no crédito; bancos e cartões lideram débitos dos acreanos


O Acre encerrou o mês de junho com uma redução no número de consumidores inadimplentes, comportamento oposto ao observado no restante do país. De acordo com o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas, divulgado pela Serasa, o estado registrou queda de 0,89% no total de pessoas com restrições de crédito e integrou o grupo de apenas sete unidades da federação que apresentaram recuo no período.

Imagem: Jeane de Oliveira/FDR

Os dados revelam que o estado contabiliza atualmente 295.299 consumidores negativados, responsáveis por mais de 1 milhão de dívidas que, juntas, ultrapassam R$ 1,7 bilhão. O percentual de inadimplência entre a população adulta acreana também permanece abaixo da média nacional: 47,51% dos adultos possuem alguma restrição financeira, enquanto o índice brasileiro alcança 50,95%.

Entre os principais motivos das pendências financeiras no Acre, os débitos junto a bancos e cartões de crédito aparecem na liderança, representando 25,04% do total. Em seguida estão as contas de serviços essenciais — como água, energia elétrica e gás — que respondem por 21,48%, enquanto as dívidas com o comércio varejista correspondem a 18,73%.

No cenário nacional, entretanto, a tendência foi de crescimento. Após um mês de maio com desaceleração, junho registrou aumento de 0,28% na quantidade de inadimplentes, o equivalente à inclusão de mais de 234 mil CPFs nos cadastros de restrição ao crédito. Com isso, o Brasil passou a somar 83,7 milhões de consumidores negativados.

Ao todo, esses brasileiros acumulam 345,4 milhões de dívidas, cujo valor chega a aproximadamente R$ 579 bilhões. Em média, cada inadimplente deve R$ 6.920,63, enquanto o valor médio de cada débito é de R$ 1.677,45.

Segundo a especialista em educação financeira da Serasa, Aline Vieira, embora a alta registrada em junho tenha sido moderada, o cenário ainda exige planejamento e atenção por parte dos consumidores.

“Depois de um mês de maio mais ameno, os dados de junho mostram que a inadimplência voltou a crescer com mais força. Porém, ainda mais lenta do que o restante do ano. O cenário segue exigindo cautela: manter as contas organizadas e antecipar a negociação de débitos em atraso ajuda a evitar que o problema se acumule ao longo dos próximos meses, se tornando uma bola de neve”, afirmou.

O levantamento mostra ainda que a retração na inadimplência foi registrada em apenas sete estados brasileiros durante junho. No mês anterior, esse movimento havia sido observado em 14 unidades da federação, indicando perda de ritmo na redução das dívidas em âmbito nacional.

Considerando todas as pendências financeiras do país, as obrigações com bancos e instituições financeiras seguem predominando, com participação de 27,2% dos registros. Na sequência aparecem as contas de serviços básicos, como água, luz e gás, que representam 21,3%, seguidas pelas financeiras, com 19,6%, e pelos serviços, responsáveis por 11,7% das dívidas.

Além do panorama da inadimplência, a Serasa informou que o programa Serasa Limpa Nome possibilitou a formalização de 5,29 milhões de acordos durante junho, beneficiando 3,15 milhões de consumidores. Os descontos concedidos ultrapassaram R$ 15,9 bilhões, enquanto o valor médio de cada negociação ficou em R$ 793.

A empresa também anunciou a prorrogação da campanha de renegociação que oferece cupons de desconto adicionais para acordos realizados pelo aplicativo e pelo site da Serasa. Desde o início da ação, em maio, mais de 111 mil consumidores utilizaram o benefício, acumulando R$ 974 milhões em descontos. Segundo a companhia, mais de 11 milhões de brasileiros ainda podem aproveitar abatimentos extras de até R$ 500, além dos descontos já disponibilizados pelos credores participantes.