O Governo do Acre oficializou, nesta segunda-feira (3), a decretação de situação de emergência em todo o estado em razão da seca severa que atinge a região. A medida, publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) e assinada pela governadora Mailza Assis, terá validade de 180 dias e autoriza uma série de ações voltadas ao enfrentamento dos efeitos da estiagem.

Foto: Jardy Lopes
A decisão foi fundamentada no agravamento das condições climáticas observado ao longo de 2026, impulsionado pelo retorno e fortalecimento do fenômeno El Niño. Entre os fatores considerados pelo governo estão a redução das chuvas, o aumento das temperaturas, a diminuição dos níveis dos rios e o risco crescente de desabastecimento de água em diversas localidades acreanas.
Dados técnicos que embasaram o decreto apontam que, entre abril e maio deste ano, aproximadamente 66,7% do território do Acre já apresentava algum grau de seca, cenário que levou o Executivo estadual a adotar medidas emergenciais para minimizar os impactos sobre a população.
Com a publicação do decreto, caberá à Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil coordenar as ações de resposta e prestar apoio aos municípios durante o período de vigência da emergência.
Entre as providências autorizadas estão o abastecimento de água por meio de carros-pipa, a instalação de abrigos quando necessário, a aquisição de equipamentos, insumos, veículos e maquinários, além da execução de campanhas de conscientização voltadas ao uso racional da água, à prevenção de queimadas e aos cuidados com a saúde durante o período de estiagem.
O documento também estabelece prioridade de atendimento para comunidades indígenas, ribeirinhas, rurais e localidades isoladas, bem como para escolas e unidades de saúde situadas nas regiões mais afetadas pela seca.
Segundo o decreto, os impactos da estiagem podem ir além da redução da oferta de água. O governo alerta para possíveis dificuldades na navegação dos rios, comprometimento do abastecimento de comunidades de difícil acesso, prejuízos às atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e de piscicultura, além do aumento da incidência de queimadas e incêndios florestais.
A administração estadual também destaca que o cenário pode provocar o isolamento de comunidades, comprometer o transporte escolar realizado por vias fluviais e elevar a ocorrência de doenças respiratórias e cardiovasculares em decorrência da fumaça, das altas temperaturas e da baixa umidade do ar.
Com vigência de seis meses, o decreto determina que os órgãos estaduais intensifiquem o monitoramento das condições climáticas, fortaleçam as operações de prevenção e combate aos incêndios florestais e executem os planos de contingência previstos para enfrentar os efeitos da seca em todo o território acreano.