A busca por alternativas que tornem a cafeicultura mais eficiente e menos dependente de insumos externos tem mobilizado pesquisadores da Embrapa Acre. Um estudo desenvolvido pela instituição investiga formas de reaproveitar resíduos gerados durante o beneficiamento do café, transformando materiais como casca e palha em aliados da produção agrícola e na redução dos custos enfrentados pelos produtores rurais.

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Para conhecer a realidade das propriedades e identificar o destino dado aos resíduos, equipes técnicas realizaram visitas a cinco produtores localizados nos municípios de Acrelândia, Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima. O levantamento permitiu observar diferentes formas de utilização desses materiais e avaliar seu potencial econômico e ambiental.
Entre as alternativas analisadas está o retorno da casca do café ao solo como fonte de nutrientes, reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos. Segundo o pesquisador da Embrapa Acre, Thiago Viana, a estratégia pode representar uma economia importante para os cafeicultores, sobretudo nas regiões mais afastadas dos centros de distribuição de insumos, onde o custo do transporte encarece significativamente a atividade.
“A casca do café pode retornar ao solo e contribuir para o fornecimento de nutrientes às plantas, entre outros usos”, destaca o pesquisador.
A pesquisa também identificou diferenças na forma como os resíduos são aproveitados em cada região do estado. Em Acrelândia, por exemplo, os produtores já utilizam a casca do café como adubo nas próprias lavouras, prática favorecida pela proximidade entre as unidades de beneficiamento e as áreas de cultivo.
No Vale do Juruá, abrangendo Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima, além da utilização agrícola, a palha do café desponta como uma alternativa para abastecer sistemas de geração de energia térmica empregados na secagem dos grãos. A substituição parcial de combustíveis convencionais pode representar economia durante o processo produtivo.
Outra frente de pesquisa conduzida pela Embrapa envolve a fabricação de biochar, conhecido também como biocarvão. O produto é obtido por meio da carbonização controlada da biomassa em altas temperaturas e apresenta potencial para melhorar as condições do solo, concentrando nutrientes presentes na casca do café e aumentando sua eficiência quando aplicado nas plantações.
Os pesquisadores também avaliam a possibilidade de expandir essa tecnologia para outros resíduos abundantes na Amazônia, como caroços de açaí, cascas da castanha-do-brasil — também conhecida como castanha-do-pará ou castanha-da-amazônia — e diferentes materiais orgânicos produzidos na região.
Apesar das perspectivas positivas, a adoção do biochar ainda depende da superação de alguns desafios. Conforme explica Thiago Viana, a tecnologia exige equipamentos específicos e capacitação técnica para que a produção do biocarvão ocorra de forma eficiente, garantindo ganhos econômicos, segurança operacional e benefícios ambientais.
Com a pesquisa, a Embrapa busca desenvolver soluções capazes de agregar valor aos resíduos da cafeicultura, reduzir a dependência de adubos industriais e ampliar a sustentabilidade da produção de café no Acre, fortalecendo a competitividade do setor no estado.