MEIO AMBIENTE

Seca permanece estável no Acre, mas atinge 67% do território, aponta Monitor de Secas

Estado manteve apenas registro de seca fraca entre maio e junho, enquanto fenômeno perdeu força em parte do país e a área total afetada no Brasil caiu para 45% do território nacional


O Acre encerrou o mês de junho com 67% de seu território sob influência da seca, mantendo o mesmo nível de severidade registrado em maio. Os dados constam na atualização mais recente do Monitor de Secas, que acompanha mensalmente a evolução do fenômeno em todo o país e serve de base para o planejamento de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da estiagem.

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Apesar da permanência da seca em mais da metade do estado, o levantamento aponta que a situação acreana não se agravou no período. Entre maio e junho, o Acre registrou apenas seca fraca, considerada o nível mais brando na escala utilizada pelo Monitor.

Segundo o estudo, esse é o maior percentual de área afetada pela seca no estado desde novembro de 2025, quando o fenômeno alcançou 88% do território acreano.

Enquanto o Acre apresentou estabilidade, o cenário nacional foi marcado por comportamentos distintos entre as regiões. Em sete estados houve redução da intensidade da seca — Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo. Em contrapartida, o fenômeno se intensificou em Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul e Sergipe.

Outros nove estados, além do Acre, permaneceram com o mesmo nível de severidade: Amazonas, Espírito Santo, Maranhão, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rondônia e Tocantins. Já Roraima voltou a registrar seca em junho, enquanto Distrito Federal e Mato Grosso passaram a integrar, ao lado do Amapá, o grupo de unidades da Federação livres do fenômeno.

Na comparação entre maio e junho, a área total atingida pela seca no Brasil diminuiu de 4,21 milhões para 3,79 milhões de quilômetros quadrados, passando de aproximadamente 50% para 45% do território nacional.

O levantamento também identificou mudanças na extensão territorial atingida pela estiagem em diversos estados. Houve aumento da área com seca em Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins. Por outro lado, Amazonas, Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo apresentaram redução da área afetada.

No Norte, o Amazonas registrou uma das maiores reduções proporcionais, com a seca recuando de 60% para 30% do território. Já o Tocantins passou a liderar a região em extensão do fenômeno, com 92% da área estadual atingida. Rondônia manteve 59% do território sob seca, enquanto o Pará permaneceu com 28%. Em Roraima, o fenômeno voltou a ser observado, abrangendo 7% do estado.

Entre todas as unidades da Federação, Espírito Santo e Rio Grande do Sul foram os únicos estados com 100% do território sob influência da seca em junho.

O Monitor de Secas é uma ferramenta de acompanhamento contínuo que avalia tanto a intensidade quanto a abrangência da estiagem no Brasil, considerando indicadores climáticos e os impactos provocados em curto e longo prazo. As informações subsidiam ações de planejamento e políticas públicas voltadas ao enfrentamento da seca e à gestão dos recursos hídricos.

O projeto teve início em 2014, inicialmente voltado ao Nordeste, e passou por expansão gradual até alcançar cobertura nacional em dezembro de 2023, com a inclusão do Amapá. Atualmente, o monitoramento abrange os 26 estados e o Distrito Federal, permitindo acompanhar mensalmente a evolução da seca em todo o território brasileiro.